Muito mais que um espetáculo ou um evento, o Tangolomango é uma brincadeira de roda com uma metodologia própria para promover o diálogo entre diferenças. Uma escola sem paredes onde todos ensinam e todos aprendem. Um método para se aprender a sonhar e a realizar de forma compartilhada. Os que dele participam aprendem a conhecer e valorizar as suas diferenças, a confiar, prestar atenção, se entregar, se divertir, trabalhar, imaginar. Nessa roda todos juntos podem criar e produzir um espetáculo (ou um filme ou uma exposição ou um seminário ou…) único.
Ano a ano, cresce o interesse dos grupos em participar dessa roda. Em sete anos, o Tangolomango tem dado régua e compasso para aqueles que querem entrar na rede. Diversos projetos e festivais já estão seguindo seus passos: adequando a metodologia Tangolomango ao seu trabalho, criam seus próprios caminhos e se juntam a nós na tarefa de difundir a prática da Generosidade Intelectual.
Esse ano, acreditando que o desejo de trocar é compartilhado além das fronteiras nacionais por todos os que produzem cultura, convidamos, pela primeira vez, grupos latino-americanos para participar dessa ciranda que, até agora, era tão brasileira. Eles aceitaram o desafio e, assim, em nosso caldeirão multicultural, além da fantástica mistura de grupos brasileiros tradicionais e contemporâneos, também estarão presentes o ritmo dos Tambores de Barlovento da Venezuela, a autenticidade dos brincantes peruanos de La Gran Marcha de Los Muñecones e o encanto dos chilenos do SubZirco. O Tangolomango manda o seu recado: é através do encontro e da contínua reinvenção das culturas que podemos ao mesmo tempo reconhecer e integrar todas as nossas diversidades.
Depois de tantos anos e tantas cirandas, pensar novas perspectivas para o Tangolomango abrem novos desafios. Até aonde poderemos abrir a roda? Por que não fazer um festival latino-americano? Por outro lado, os muitos projetos recebidos nos deram uma visão geral do grande movimento cultural que está acontecendo em várias regiões do país e aumentando, ainda mais, nossa vontade de conhecer e reunir o maior número deles. Essa efervescência nos leva a pensar em propostas que permitam incluir, no Festival, ainda mais grupos, ampliando os parâmetros da diversidade. <
Algumas idéias já se anunciam: porque não um projeto voltado para apresentações individuais? E um programa de capacitação para os grupos que ainda precisam de apoio para participarem das próximas edições do Tangolomango? E que tal um projeto só para crianças, um Tangolomanguinho?
E assim segue a nossa ciranda: se abrindo a cada volta para criar mais espaço e incluir mais gente nessa roda.
Marina Vieira
Diretora do Tangolomango – Festival da Diversidade Cultural