trânsito entre o virtual e o real

Outubro 20, 2009 por tangolomango

Criado em 2002, o Tangolomango é um projeto pioneiro de tecnologia social de produção colaborativa. A partir de um conceito de cultura popular abrangente, que incorpora diferentes linguagens e estéticas, o Tangolomango promove o intercâmbio de saberes e práticas culturais, valorizando o diálogo como via de produção de novas ações e produtos. Seu nome, que designa uma brincadeira de roda popular em várias regiões do nordeste do país, foi escolhido por expressar o espírito do trabalho.

Baseado, desde seu início, em eventos presenciais, através de espetáculos anuais produzidos de forma compartilhada por diferentes grupos de música, artes cênicas e áudio-visual, o projeto inicia agora uma nova fase, através da criação de um portal na internet. O Tangolomango na Rede permitirá articular e promover ações colaborativas não apenas entre os que já integram o projeto mas também expandir essa comunidade incorporando um número muito mais abrangente e diversificado de iniciativas.

A história do Tangolomango foi um processo em que cada evento fazia surgir as idéias que inspiravam o evento seguinte, como um pensamento seqüencial. Tudo começou quando, no primeiro evento, há oito anos, o Tangolomango reuniu grupos de comunidades periféricas do Rio de Janeiro para apresentar um painel de suas produções culturais e debater as possibilidades de sustentabilidade de suas ações. O grande gargalo para a inclusão social e cultural, apontado na ocasião, foi a dificuldade de comunicação entre os grupos. Assim, no ano seguinte, buscando saídas para esse obstáculo, o evento reuniu projetos que discutiam especificamente os caminhos para a democratização da comunicação e os direitos de expressão das várias manifestações da cultura urbana. O resultado desse intercâmbio levou à conclusão de que o acesso às novas ferramentas de comunicação era um ponto vital para o processo de transformação social. Por isso, em 2004, o Tangolomango convocou grupos cujos trabalhos estavam antenados com a comunicação alternativa e buscavam novas formas de expressão através das quais pudessem veicular seus olhares sobre a realidade e, com isso, valorizar suas identidades culturais. Estiveram presentes naquele encontro projetos que, já naquela época, se apresentavam como lideranças nesse processo sócio-político e cultural, como O Centro de Estudos e Ações Comunitárias da Maré – CEASM -, a Central Única das Favelas – CUFA-, e o Nós do Morro.
A ampliação para iniciativas de outras regiões do país aconteceu a partir de 2005, quando grupos de outros estados do país passaram a participar dos encontros no Rio de Janeiro. A essa maior abrangência geográfica, entretanto, correspondeu uma nova concepção da noção de periferia. Antes muito associada a critérios sociológicos de exclusão, como áreas de população de baixa renda, a idéia de periferia adotada a partir desse momento nas ações do Tangolomango é associada a critérios relativos à comunicação, como menores condições de acesso à circulação do conhecimento e às formas de divulgação de seus produtos. Essa mudança foi fundamental para a diversificação dos grupos e enriquecimento do intercâmbio promovido em rede. É nesse momento que o diálogo se intensifica e o trabalho passa a se concentrar nas propostas de generosidade intelectual, a criação coletiva e o compartilhamento da produção.
O deslocamento do Tangolomango para outras cidades do país – Fortaleza, Salvador e Recife – foi uma decorrência quase que natural desse processo. Foram, com isso, incorporados novos grupos, mas também novos públicos, trazendo novos elementos para a dinâmica das trocas. Em 2008 foi dado um passo ainda mais largo, com a participação de projetos de diferentes países da América Latina.
Em todo esse percurso ficou evidente a importância dos eventos locais, presenciais, para a construção e solidificação das relações de conhecimento e diálogo entre as iniciativas culturais de cada região. Muitas vezes, por exemplo, grupos de áreas próximas e até mesmo vizinhas, nunca haviam produzido qualquer ação conjunta e, em alguns casos, sequer se conheciam. Os eventos e encontros realizados pelo Tangolomango, ao promover a troca e a produção compartilhada entre eles, evidenciou, para esses grupos, os benefícios de um fazer colaborativo, tanto do ponto de vista estético quanto prático, viabilizando e dando visibilidade ao trabalho de cada um e dos integrantes da comunidade.
Por outro lado, a partir de um dado momento, a ação local e os eventos presenciais passaram a ser insuficientes diante da expansão real e o potencial da Rede Tangolomango. Além disso, as políticas públicas do Ministério da
Cultura, como a criação dos Pontos de Cultura que disseminaram o acesso às novas tecnologias da comunicação, modificaram de forma radical o cenário da produção cultural no país. Hoje, o número e a diversidade dos grupos de produção cultural aumentou exponencialmente. Além disso, todos têm condições de divulgação de seus trabalhos através da internet.
Diante dessas duas constatações, a questão que se coloca hoje para o Tangolomango é como fazer a ponte entre ações e redes locais e o universo das redes virtuais.
É essa a proposta do projeto do Tangolomango em Rede, conjugando os encontros presenciais, fundamentais para o fortalecimento das identidades culturais locais, e as potencialidades de articulação do universo virtual. Numa ponta, se fortalecem os conteúdos e a diversidade, na outra se promove o diálogo e a criação colaborativa. Na junção das duas, se ampliam os vocabulários e se estimulam novas formas de expressão.

Divulgados os grupos selecionados para o Tangolomango 2009

Outubro 14, 2009 por tangolomango

Grupo Grial de Dança, de Recife, estará no palco do Circo VoadorNo próximo dia 8 de novembro, o Tangolomango levará mais uma vez ao palco do Circo Voador, no Rio de Janeiro, os conceitos de produção colaborativa e generosidade intelectual.

Na edição de 2009, os protagonistas do espetáculo serão os grupos Grial de Dança, de Recife, Cultural Pé de Cerrado e Irmãos Saúde, do Distrito Federal, Paideguará, de Belém, e Banda Caixa Preta, do Rio de Janeiro, além dos argentinos Circo Social Del Sur, de Buenos Aires, e dos venezuelanos Tambores de Barlovento – Elleguá, de Caracas.

A seleção dos grupos foi feita por uma comissão representada pela diretora-executiva do Tangolomango, Marina Vieira, pela coordenadora de produção Nina Guinle, pelo diretor-artístico do evento Sidnei Cruz e pelo co-diretor artístico João Artigos.

Resultado da seleção 2009 sai na próxima semana!

Setembro 24, 2009 por tangolomango

As inscrições para o Tangolomango 2009 já estão encerradas e a seleção começa semana que vem. Cruze os dedos e fique ligado aqui no blog para conferir se o seu grupo será um dos 10 selecionados para participar do evento, que será realizado no Circo Voador, no Rio de Janeiro, entre os dias 6 e 8 de novembro.

Venha para essa roda

Novembro 6, 2008 por tangolomango

Preparando para o Rio

Novembro 6, 2008 por tangolomango

O Globo - Caderno Digital

O Globo - Zona Sul

Megazine

Próxima parada: Lapa

El Circo Del Mundo, escola de circo chilena, grupo de dança pernambucano, coletivos e banda de rock do movimento cabaçal são algumas das atrações que farão parte da sétima edição do Festival de Diversidade Cultural, que leva espetáculo compartilhado ao Circo Voador em novembro. O Tangolomango chega ao Rio depois de ter passado por Fortaleza e ainda a caminho de Salvador. No Rio, o festival acontecerá entre os dias 7 e 10 de novembro. Os dois primeiros dias serão de vivências e dinâmicas que vão resultar na criação do espetáculo compartilhado com direção artística de João Artigos e Sidnei Cruz.

Descendo o país cheio de gás

O espetáculo de Fortaleza reuniu, numa energia contagiante, 1076 pessoas no Anfiteatro do Dragão do Mar e mais 450 pessoas no cortejo após o show, para dançar e se emocionar. Números surpreendentes que confirmam o sucesso do projeto no Estado e mostram que o Tangolomango carioca e seu espetáculo de 9 de novembro prometem. “O Tangolomango já fincou raízes no Ceará e leva nossa cultura para onde for”, diz Marina Vieira, produtora do festival.

Talento e rigor, com prazer

El Circo del Mundo, nosso convidado chileno, concebe o circo como um espaço livre, mágico e lúdico, onde o rigor, a disciplina e a perseverança levam a conquistas concretas que o artista e seu entorno podem vivenciar. A ONG circense que vem tangolomangar no Rio vê o circo e suas interfaces como instrumentos de auto-valorização e formação de redes sociais e de pertencimento. O resultado é um espetáculo de altíssimo nível artístico, e que explora as linguagens circenses de forma dinâmica e moderna. Conheça mais o trabalho deles em www.elcircodelmundo.com.

Cobertura colaborativa no Circo Voador

Uma oficina de jornalismo colaborativo será dada pelo Overmundo no mês de novembro. Estudantes, artistas, produtores culturais, quem quiser pode chegar para participar da cobertura colaborativa do Tangolomango, 7° Festival de Diversidade Cultural, nos dias 7, 8 e 9 de novembro, no Circo Voador.  A equipe editorial do www.overmundo.com.br, site colaborativo de cultura brasileira, vai coordenar a cobertura, focada na produção de textos, imagens e vídeo. Os resultados serão postados no Overmundo, no blog do Tangolomango, em sites pessoais e onde mais o pessoal quiser. A produção dos textos e a edição de imagens/vídeos serão feitas posteriormente, bem como as postagens, de acordo com as conversas dos grupos com a equipe coordenadora da cobertura. Como tudo nesta produção é colaborativo, câmeras fotográficas e de vídeo são bem-vindas. Interessados em participar devem mandar um email para helena.aragao@gmail.com.

Sem roteiro mas com ação garantida

No Tangolomango não há resultados previstos, nem roteiro prévio. A versatilidade, o respeito, a generosidade e a criatividade dos grupos permitem que as trocas culturais dêem frutos de uma riqueza espetacular. O pessoal do MM não é confete, coletivo audiovisual que estará no Circo Voador, concorda: “O indivíduo é o propulsor de ações, de criações, de idéias… o coletivo torna-se o agente. Proposições individuais para ações-realizações conjuntas, respeitando cada indivíduo com seu próprio percurso pessoal de conexão artística”. Conectemo-nos todos no próximo dia 9, pois Salvador já está a nossa espera!

Primeiras impressões

Novembro 3, 2008 por tangolomango

Olá, meninas! Como estão?

Ontem estive com Di Freitas (Orquestra de Rabecas SESC - Cego Oliveira), ele trouxe um Fanzine pra mim e ainda estou lendo cada página (tô “me achando” com meu nome na revista… rsrsrs…). Todos eles, artistas do Cariri que participaram do Tangolomango, ficaram maravilhados com o Festival e com as pessoas bacanas que conheceram. Fiquei feliz por ter participado deste grande Evento com aquele texto, e, também por isso, agradeço muito a vocês: Helena, Ilana e Marina. MUITO OBRIGADA!

Você não imaginam o quanto eles estão felizes com o resultado, e eu como fã dos trabalhos dos artistas da minha terra, fico mais feliz ainda em vê-los nestes palcos tão importantes.
Com os relatos de Di Freitas, fiquei imagianando a alegria do Mestre Chico e dos outros da Banda Cabaçal Santo Antônio que quase não acreditavam que iriam à Fortaleza se apresentar perante um grande público e estarem em meio a grandes artistas e empreendedores como toda a Equipe do Tangolomango.

Isso foi muito importante para eles! Enquanto por aqui, pelo Cariri, existem algumas pessoas que vêem arte popular como algo banal, sem importância, com frases do tipo: “Ai, que besteira!”, vem vocês, pessoas totalmente atenadas com o mundo da arte e dizem pra eles: “Hei, o que vocês fazem é legal demais! É arte que deve ser valorizada!”

Imaginam agora o quanto o Tangolomango foi significativo? MUITO OBRIGADA POR TUDO!!! SUCESSO A TODAS VOCÊS E QUE O PALCO DO TANGOLOMANGO CONTINUE VALORIZANDO ARTISTAS QUE NÃO ESTÃO NA GRANDE MÍDIA E QUE POSSAM INTERAGIR NUM GRANDE ESPETÁCULO.
Beijos e abraços a todas vocês e aos demais da Equipe Tangolomango.

(e-mail de Jackie Corrêa do Cariri sobre a festa em Fortaleza)

A arte brilha pela vida com os pernambucanos Majê Molê e Mestre Librina

Outubro 5, 2008 por tangolomango

Dois talentos representam a cultura de Pernambuco no Tangolomango 2008: o balé afro Majê Molê, e a banda de pífanos Mestre Librina. Ambos têm histórias diferentes para contar. No entanto, com uma característica em comum – a ressocialização de jovens em situações de risco.

No Tangolomango do ano passado, o Majê Molê fez uma apresentação de dar água na boca no palco do Teatro do Parque (Recife). Este ano, o grupo está de volta para mostrar aos cariocas a beleza de sua performance. Formado por 65 meninas do bairro de Peixinhos (Olinda), o balé Majê Molê oferece uma performance nada clássica, baseada em estudos das religiões de matriz africana. Sua sede fica no Centro Cultural Nascedouro, antigo matadouro de Peixinhos, espaço que, não fosse por este e outros movimentos culturais, até hoje seria reduto de tráfico e desmanche de carros.

O Majê Molê nasceu de uma brincadeira que a educadora Glória Maria Gomes promovia todo ano, no dia das crianças. Em 1997, a pedido das próprias crianças, o grupo passou a existir também para o mundo, graças ao apoio inicial dos percussionistas Toca Ogan e Gilmar Bolla Oito, do grupo Nação Zumbi, e depois com os integrantes do Rappa e intercâmbios com o Afroreggae. De forma que, se apresentando Brasil afora, o grupo realiza o sentido do nome original Majesi Mimolê, no dialeto iorubá: “crianças que brilham”.

Movimento semelhante está em curso no Alto do Cruzeiro, bairro periférico do município de Gravatá, no agreste pernambucano. Lá, o grupo Mestre Librina está renovando a tradição das bandas de pífano, uma das referências culturais do interior nordestino. O projeto retoma e atualiza a obra de Sebastião Librina, mestre do pífano de que morreu no anonimato, e sem deixar herdeiros. Ao inserir rabeca, caixa, zabumba, pandeiro, ganzá, alfaia, triângulo, agogô e contra-baixo, os meninos deram nova roupagem ao som do pífano, que ainda encontra nas vozes a cantoria sobre a perspicácia e sagacidade do povo nordestino. Mestre Librina encanta e envolve em festas profanas e religiosas, através de performances próprias, desenvolvidas para os ritmos da mazurca, xaxado, coco, afoxé, caboclinho e frevo. Sua apresentação termina bem no espírito do Tangolomango, com a ciranda reunindo a platéia numa grande roda, símbolo da união das classes, raças e credos em torno da cultura popular.

André Dib – Recife

E a folia do Rio!

Outubro 5, 2008 por tangolomango

El Circo del Mundo

A Escola de Circo Social do Chile chega ao Tangolomango para mostrar como sua iniciativa de usar a arte circense com fins educativos pode dar e dá certo. Desde 1995, as capacidades desses jovens são levadas aos limites, enquanto se estimulam as mudanças no próprio indivíduo.
Alijandra: alejandra@elcircodelmundo.com
Bartolo: bartolo@elcircodelmundo.com
http://www.elcircodelmundo.com/

Coletivo MM não é Confete

“Manifeste-se!”; é a idéia principal dessa dupla paulista. Com seu carrinho de camelô, artigo tão popular como o público que pretendo alcançar, eles criam a mobile webtv live broadcast. A população ganha voz: uma voz limpa, direta, audível. Incrementada com um pouco de edição, animação, vídeo e tratamento de luxo.
Milena Szafir: milena.sz@gmail.com / milena@szafir.net

Companhia Urbana de Dança

Dirigida por Sônia Destri, a Companhia de Dança Urbana é formada por 12 jovens moradores de áreas populares do Rio de Janeiro. Com foco na formação e inserção social desses indivíduos, a Companhia cria um espetáculo corporal que alia a experiência de sua mentora às idéias e incorporações de seus dançarinos.
Sonia Destri: sonia.destri@gmail.com

Júnior (Dr. Raiz)

Quem pôde presenciar a apresentação do Dr. Raiz em 2007 no Tangolomango vai ter uma grata surpresa esse ano. Geraldo Júnior, integrante do grupo, chega na edição de 2008 do festival da diversidade mostrando sua versatilidade com um novo coletivo, trazendo um forró pra ninguém botar defeito.
Geraldo Júnior: jbraiz@yahoo.com.br

Gigantes pela Própria Natureza

Sobre pernas-de-pau, chega ao Tangolomango o Gigantes pela Própria Natureza. Cantando sua música e encenando sua peça, a Cia. de Mystérios apresenta a força da cultura nacional e sua expressividade, num trabalho que aborda o sentido do humano através de seus quase 50 jovens entre 14 e 21 anos. Tudo isso de um ângulo bem pouco habitual. Literalmente.

Marina França: marinabfranca@gmail.com / ciademysterios@hotmail.com
http://www.ciademysterios.com

Majê Mole

Através de uma ação cultural voltada para meninas de rua do bairro de Peixinhos, em Olinda, surge em 1997, o Balé Afro Majê Molê. A dança, o ritmo, a produção, tudo isso dá a essas garotas uma perspectiva de vida que, anteriormente, como reconhecem suas 28 integrantes, lhes parecia quase extravagante, de tão impossível.
Mônica: monica_soares1@yahoo.com.br / maje_mole@yahoo.com.br

Pandeloucos da AMC

Desde 1991, os compositores da Baixada passaram a se reunir para fazer música. Que mais se poderia esperar desse encontro, que não um trabalho primoroso desenvolvido por cada um de seus grupos instrumentistas? Atualmente, o grupo já tem quase duzentos integrantes, entre os quais os “Pandeloucos”. O neologismo do nome já é auto-explicativo. Então, é só ouvir e se deleitar.
Lena de Souza: lena.amc@terra.com.br

Kina Mutembua

Contando com jovens entre 11 e 22 anos, o Kina Mutembua atua na comunidade da Cidade Alta, no Rio de Janeiro, visando a valorização da cultura afro-brasileira. E “Dançando com o vento” – como anuncia o nome da organização traduzido do dialeto banto para o português – que o grupo se apresenta no Tangolomango, ao som da Orquestra de Berimbau.
Fernando César: fernando@acaocomunitaria.com.br

Maria Gomide

Há 30 anos a Companhia Carroça de Mamulengos faz história com trupe de saltimbancos, viajando pelo país. O grupo de 11 pessoas é representado por Maria Gomide no Tangolomango de 2008 com uma apresentação construída e amadurecida para o encanto daqueles que presenciarem.
Maria Gomide: mariagomide@gmail.com
http://www.carrocademamulengos.com.br

Na folia do Tangolomango

Outubro 5, 2008 por tangolomango

É tão bom quando se é criança… Você pode brincar, brincar e brincar, sem receios, sem temores, sem qualquer tipo de inquietação na cabeça. No Tangolomango não pode ser de outra maneira. Se a proposta é realizar um encontro de diversidades porque não saborear a diferença mais de uma vez? Dessa forma, não é raro que um grupo participe de mais de uma edição do Festival.

O Media Sana é um deles e, como disse o Gabriel Furtado, integrante desse coletivo, “foi estimulante para todos os integrantes do grupo poder participar de um evento que foca exatamente na diversidade”. Isso vindo de um pessoal voltado para a tecnologia digital contemporânea, ou seja, que poderíamos logo imaginar se sentindo deslocados num evento com tanta parafernália analógica. Podemos logo pensar então na outra conseqüência para os participantes que é a mudança na própria forma de linguagem, reescrevendo sua forma de expressar suas idéias. Mais uma vez citando o Gabriel, “por outro lado isso nos levou a pensar num formato acústico do grupo”. Adequando-se à brincadeira sempre!

Outro que passa por isso é o Geraldo Júnior, que em 2007 veio com o Dr. Raiz e volta para a edição de 2008. Com uma banda já surgida a partir de uma miscelânea de influências que foi o movimento manguebeat, seu grupo desse ano vem atravessando o caminho do rock ao forró e sua transformação dada no evento pode levar a uma nova capacidade de miscigenação do estilo, rompendo um limite desconhecido, e por isso mesmo inexistente, para esse pessoal de Juazeiro do Norte. Aproveitando as palavras de Orlângelo Martins, do Dona Zefinha, “cada grupo traz sua bagagem artística tornando coletivo o processo criador”. Dessa coletividade sai o mais perfeito tempero da festa.

Nesse 7º folguedo quem também volta é o Gigantes pela Própria Natureza, dirigido por Ligia Veiga. Obviamente com um espetáculo diferente do ano passado porque é impossível passar pelo Tangolomango e não receber um molde distinto. Molde? Não, não existe um molde. Existe a mudança, a transformação, regida pelo momento, pelo convívio, pela festa.

Assim como o menino adora a brincadeira, os artistas gostam da folia. Por mais que possa ser complicado em algumas ocasiões, o resultado sempre maravilha. Deixa a criança viver!

Uma voltinha por Salvador

Outubro 5, 2008 por tangolomango

La Gran Marcha de Los Muñecones

No Peru, um teatro comunitário abre espaço para a experimentação e criação artística. É La Gran Marcha de Los Muñecones do Centro de Investigación, Formación y Difusión Cultural. O grupo mescla atividades relacionadas ao teatro e projetos sociais desde 1991, trabalhando diretamente com a comunidade local.
lagran_marcha@yahoo.com.br/losmunecones@hotmail.com
http://www.lagranmarcha.net/

Mestre Librina

Muitos gênios foram reconhecidos após sua morte e com Sebastião Librina não foi diferente. O Grupo de Apoio aos Meninos de Rua, de Gravatá (PE), lhe garantiu, enfim, esse reconhecimento, resgatando sua música e imprimindo, ao som antigo, uma respeitosa e inevitável influência atual. Assim, esses jovens baianos fortalecem suas tradições e crenças e nos oferecem um espetáculo grandioso.
Edson de Oliveira: gamms@bol.com.br
http://www.meninosdosol.org/musica.htm

Coletivo Eletropercussiva

Que tal uma combinação de tambores típicos das raízes culturais baianas com as batidas eletrônicas de uma pick-up? É essa a idéia do Coletivo Eletropercussiva, grupo integrante da Eletrocooperativa de Salvador. Seu trabalho dá acesso à tecnologia e cria uma fonte de renda e autosustentabilidade para jovens da cidade.
Alessandra Pomponet: alessandra@eletrocooperativa.org
http://www.eletrocooperativa.art.br/

Terreiro Circular

De Glauber Rocha a Buñuel, de Armandinho a Massive Attack, o Terreiro Circular agrega as mais variadas influências numa produção audiovisual única. Desde 2005, o grupo enraizado em Salvador faz um trabalho que se realiza “acontecendo” em diferentes localidades, Nas suas andanças, vai reunindo artistas e fortalecendo sonoridades em seu terreiro.
Vince Silva: mquinario@gmail.com

Grupo Cultural Zambiapunga

Há mais de 200 anos a zambiapunga sai na madrugada de 1º de novembro para comemorar o Dia dos Mortos. Os homens desfilam mascarados, vestidos com roupas feitas de panos e papéis de seda, e acompanhados de instrumentos rústicos. Essa folia de Nilo Peçanha vem provar que o Brasil não é país de esquecer facilmente suas tradições.
Cláudio Mendes: calmendes@hotmail.com

Cia. Ponto de Dança

Em 2005, junto ao Centro de Experimentações em Movimentos, surge a Cia. Ponto de Dança. Essa é uma companhia de dança contemporânea que não tem nada de elitista, pelo contrário, sua proposta é, justamente, promover a aproximação de todos os públicos. Assim, sua dança se achega à população, com uma temática que pretende atravessar o mundo.
Tatiana Amaral: doninhavalente@gmail.com

A Força do Rap do Pelô

Formado por três projetos diferentes – Nova Saga, Afro Jhow e Lucas Kintê – que reúnem jovens do Pelourinho, em Salvador, A Força do Rap do Pelô propõe desenvolver uma maior conscientização dessa comunidade através da produção artística. Assim, num mesmo trabalho, fazem convergir o rap, o reggae, a cidadania e uma ótima idéia.
Jussara Santana: jussarasantana2000@yahoo.com.br

Circo Picolino

A arte circense e as tradições nordestinas caminham juntas no Circo Picolino. Criado em 1995, na Escola Picolino de Artes do Circo, o grupo realiza um trabalho de educação há mais de duas décadas. Nesse período, mais de 2000 pessoas já integraram sua trupe. O resultado desse trabalho não se limita ao espetáculo no picadeiro, mas tem importância em toda vida dos indivíduos que dele participam.
Anselmo Serrat: anselmoserrat@ig.com.br
http://www.circopicolino.xpg.com.br/

Grupo Dimenti

O Grupo Dimenti criado em 1998, em Salvador, dá um novo significado ao termo miscelânea. Num trabalho que envolve teatro, dança, comunicação, psicologia e diversas outras áreas de conhecimento e expressão artística, suas performances estão além do que se consegue descrever em palavras. Então, tem que experimentar!
Ellen Mello: ellenmel@terra.com.br
http://www.dimenti.com.br/